Pós e Secundaristas

Greve da educação radicaliza em Brasília e afirma que a Educação não vai pagar pela crise!

A greve nacional da educação vem tomando proporções que fazem dela uma greve histórica. Mais de 95% das instituições federais de ensino estão paralisadas. Uma marca fundamental dessa mobilização é o fato de ela ser unificada, reunindo professores, técnicos-administrativos e estudantes na luta em defesa da educação pública.

Entre os estudantes, a greve também se fortalece e se amplia. Depois da Marcha do dia 18, a Plenária Ampliada do CNGE reuniu mais de 60 delegados de todo o país e aprofundou a discussão sobre os rumos da nossa mobilização. Um passo importantíssimo nesse sentido, que reforça o sentimento de unificação entre os segmentos e categorias característico da greve nacional, foi a consolidação das pautas de reivindicação dos estudantes secundaristas e pós-graduandos como parte impreterível da greve estudantil.

Sendo assim, não há dúvidas: quem representa o conjunto dos estudantes em greve no país é o Comando Nacional de Greve Estudantil, que se solidifica como o instrumento para organizar as lutas e negociar as pautas de todos os segmentos estudantis.

Os pós-graduandos protagonizam nesta greve um movimento novo, que tem rompido com a máxima de que “a pós não faz greve” e conseguido avançar nas mobilizações desse segmento. A partir de suas especificidades, se reconhecem também como estudantes e reivindicam melhores condições de estudo, pesquisa e trabalho nas universidades. Desde a instalação do CNGE, a participação dos pós-graduandos vem elaborando a incorporação de sua pauta específica às reivindicações gerais do Comando. Temas como a garantia da assistência estudantil para pós-graduandos, a universalização das bolsas sem redução de vagas e a revisão dos critérios de avaliação da Capes, CNPq e demais agência de fomento, com extinção da lógica produtivista a partir de amplo debate na comunidade acadêmica, já estavam presentes na nossa pauta.

Agora, a partir da Plenária Ampliada do CNGE, os pós-graduandos incorporam uma resolução relativa ao aumento das bolsas, extremamente desvalorizadas a partir dos sucessivos cortes de FHC que foram mantidos por Lula e Dilma: a reivindicação do CNGE passa a ser por um reajuste que vincule as bolsas ao salário dos professores em uma proporção de 80%. As bolsas de mestrado devem passar a equivaler a 80% do salário de um professor auxiliar I, nível I, com especialização e dedicação exclusiva, e as bolsas de doutorado devem passar a 80% do salário de um professor assistente I, com mestrado e dedicação exclusiva. Isso significa que reivindicamos, hoje, o reajuste das bolsas de mestrado para R$ 2496 e das bolsas de doutorado para R$ 3721. Além disso, reivindicamos também a universalização de uma taxa complementar, a taxa de bancada, no valor de 30% das bolsas. É importante destacar que, embora essa reivindicação se refira à atual carreira docente, apoiamos integralmente a reivindicação por reestruturação da carreira e a proposta elaborada pelo Andes-SN.

Já o protagonismo do movimento secundarista não é de hoje. E nessa greve não é diferente. Os estudantes secundaristas de todo o país, se mobilizando localmente e se organizando junto ao CNGE, conseguiram, afinal, aprovar a pauta que contempla os ensinos técnico e básico. É preciso que todos tenhamos clareza que nessa greve TODA a educaçao está mobilizada para derrubar o descaso do governo para com nossas universidades e escolas. Para além disso, essa greve tem que ser um instrumento de unidade e reorganização do movimento estudantil e isso só acontecerá com a participação efetiva de todos os estudantes SECUNDARISTAS do Brasil.

A pauta secundarista, construída com as principais reivindicações do ensino técnico, das IFs e do Colégio Pedro II, tem como principais bandeiras a contrariedade às polticias privatizantes do governo, representadas pelo PRONATEC, a defesa de projetos que pautem o ensino politécnico, a expansão do PNAES para todos os segmentos da educação pública, o investimento de 1,5 bilhão na pasta da Ciência e Tecnologia, democratizaçao de todas as instituiçoes federais, com eleiçao direta para reitor, voto e conselho superior paritarios, a rediscussao e construçao de um novo Projeto Político Pedagógico, que paute um novo modelo de educaçao mais popular e democrático, o repúdio à expansão sem qualidade das escolas secundaristas e reestruturação das mesmas, com reformas, construção de laboratorios e demais salas que a instituiçao necessite, e que sejam devidamente equipadas de acordo com suas demandas.

A participação ativa de secundaristas e pós-graduandos é fundamental para o fortalecimento da greve estudantil e da greve da educação de maneira geral. A consolidação de novas pautas dá mais fôlego à nossa luta e expressa a incorporação de mais estudantes à mobilização. Seguimos construindo a greve e lutando pelo atendimento de nossas reivindicações!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: